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segunda-feira, julho 31, 2006


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe ... nas cartas que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses...anos...até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos ... que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto! "Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto...reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

Aí, os dias vão passar, meses...anos...até este contacto se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:

"Quem são aquelas pessoas?"

Diremos ... que eram nossos amigos e...isso vai doer tanto!

"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes \ntempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 26, 2006


Quando me amei de verdade, pude compreender que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo,na hora certa. Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado - inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e - qualquer coisa que me pusesse pra baixo. Minha razão chamou isso de egoismo. Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos. Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo. Como isso é bom!

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão, e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.

Trechos do livro: "QUANDO ME AMEI DE VERDADE "Kim McMillen & Alison McMillen

Morre lentamente quem nao viaja,
quem nao le, quem nao ouve musica,
quem destroi o seu amor-proprio,
quem nao se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do habito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem nao muda as marcas no supermercado,
nao arrisca vestir uma cor nova,
nao conversa com quem nao conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixao,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhao de emocoes indomaveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e solucos, coracao aos tropecos, sentimentos.

Morre lentamente quem nao vira a mesa quando esta infeliz no trabalho,
quem nao arrisca o certo pelo incerto atras de um sonho,
quem nao se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da ma sorte ou da
chuva incessante, desistindo de um projecto antes de inicia-lo,
nao perguntando sobre um assunto que desconhece e nao respondendo
quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforco muito maior do que o simples acto de respirar.

Estejamos vivos, entao!

Pablo Neruda

segunda-feira, junho 12, 2006

terça-feira, maio 30, 2006

Modern Life


Temos automoveis mais rapidos e comodos mas demoramos mais tempo a chegar aos nossos trabalhos; a nossa formação académica é superior mas não acontece o mesmo com a nossa preparação para a vida; há gente á nossa volta mas sentimo-nos com frequencia sós e aturdidos; os salários são mais altos mas as "necessidades" parecem inatingiveis; temos cadeirões, cadeiras, camas e sofás mais cómodos e funcionais mas descansamos menos e pior; há mais bulicio mas menos alegria; temos ginásios, piscinas mas estamos exaustos...
Aint Life a Paradox???

quarta-feira, maio 10, 2006

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "á prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags - viajar à frente era um bónus. Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.Não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet. Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua. Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía! Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos as portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados. Andamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas.Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.Tínhamos liberdade,fracasso,sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo. A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986...chamam-se jovens.Nunca ouviram "we are the world" e "uptown girl" conhecem de westlife e não Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle.Para eles s empre houve uma Alemanha e um Vietname.A SIDA sempre existiu.Os CD's sempre existiram.O Michael Jackson sempre foi branco. Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia deus da dança.Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado.Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.
Eles não sabem sem sonham...aquilo sim era infância!!!Recordem...

quinta-feira, agosto 11, 2005

Ilhas perdidas
no meio do mar esquecidas
num canto do Mundo...
que as ondas embalam,
maltratam, abraçam...
Jorge Barbosa
poeta de Cabo Verde

quarta-feira, agosto 10, 2005

terça-feira, maio 31, 2005


"Que a força do medo que eu tenho,não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo o que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito,mas a outra metade é silêncio...
Que a musica que eu ouço ao longe,seja linda, ainda que triste...
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece,e nem repetidas com fervor,apenas respeitadas,como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço,mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corre por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão
Que o medo da solidão se afaste,e que o convívio comigo mesmo,se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto,um doce sorriso,que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo,mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta,mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia,e a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada,
Porque metade de mim é amor,e a outra metade...também..."


Oswaldo Montenegro

"Uma das maiores ilusões é que iremos encontrar outra pessoa que vai tornar a nossa vida feliz. Mas raramente estamos cientes de quanto a nossa busca e nosso drama de "amor" são uma enorme fuga de nos mesmos." Qual e o tópico intimo mais comum que freqüentemente compartilhamos com um amigo durante um café? - Nossas historias de amor. Elas são uma preocupação maior. Não podemos viver sem amor mas encontrá-lo e mantê-lo é muito difícil. Por que o amor que começa com tantas esperanças e promessas aos poucos se torna um pesadelo? Por que o amor parece tão frequentemente se deteriorar numa amarga luta de poder ou numa fria indiferença? E por que repetimos os mesmos padrões dolorosos muitas e muitas vezes? Freqüentemente o meu mestre nos lembrava de que não temos idéia do que é o amor. O amor, ele explicou, é um estado de consciência, não algo que sentimos por uma pessoa em particular, mas algo que sentimos por todas as coisas. Ele chega como resultado de uma profunda busca interior e por entrar profundamente em meditação. O amor é impossível de encontrar e sustentar até que confrontemos e comecemos a trabalhar o nosso medo. Ate então, nossas historias de amor são apenas uma maneira de evitar encarar o medo.
Aqui estão três maneiras que descobri que comumente usamos para evitar o medo:
1. Nós prendemos a crença de que iremos encontrar alguém que levara o nosso medo e nossa dor embora principalmente o medo de nossa solidão.
2. Ou nos iludimos em acreditar que somos auto-suficientes - que basicamente podemos conseguir sozinhos.
3. Ou acreditamos que, quando a dor ou o medo surgem, é falha de alguém ou algo fora de nos mesmos.
A menos que estas ilusões sejam expostas e trazidas a consciência, elas continuamente irão sabotar nossos esforços para encontrar amor."
Osho


Aprendi que se aprende errando

Que crescer não significa fazer aniversário
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos
Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você

Que a maldade se esconde atrás de uma bela face
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos

Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida

Que amar significa se dar por inteiro

Que se pode conversar com estrelas

Que se pode confessar com a Lua

Que se pode viajar além do infinito
Que sonhar é preciso

Que se deve ser criança a vida toda

Que nosso ser e livre

Que Deus não proíbe nada em nome do amor

Que o que realmente importa é a Paz interior

E finalmente, aprendi que não se pode morrer, pra se aprender a viver...

sábado, outubro 02, 2004

segunda-feira, setembro 27, 2004

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que se tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cair é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou. Aprende que ha mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
“Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”
William Shakespeare
"É amaldiçoado pela parte que se julga desamada, afloram todas as mágoas guardadas e julgadas esquecidas, muitas até inexistentes. O amor num átimo de segundo transforma-se em ódio, em desamor. Uma tênue e reversível mudança. Julgamos o amor morto, acabado... finito. Ledo engano... Como a mitológica Fênix, ele renasce das cinzas com uma nova roupagem, sem máculas, sem cicatrizes. A "capa" é nova, mas o sentimento é o mesmo, ele nunca morre, se faz de morto, hiberna, controla seu metabolismo até se tornar imperceptível, para preparar seu retorno triunfal. É apenas um truque inteligente para fazer com que reflitamos nossa relação com ele, aprendamos com nossos erros e modifiquemos o que nos incomoda para o tornarmos pleno, para que ele reine soberano, sem dúvidas ou oposições. Ele é imortal, mas não é linear, muitas vezes sua retirada é necessária, por mais dolorosa que seja, mante-lo preso, sem seus alimentos (carinho, atenção, dedicação, afeto, etc...) é vê-lo sofrer e causar sofrimento. Ele só dura em liberdade, e é nela que ele vive seu ápice, o auge de sua plenitude e criatividade, aumentando qualitativamente mais e mais ... Não se iludam, ele não morre e isso é uma benção, pois sua morte significa nossa morte, por mais que algumas pessoas afirmem o contrário, não se vive sem amor. Quem assim afirma mente para si mesmo e guarda encarcerado em si um amor que só simboliza sua própria dor. Se o amor lhe parecer morto, mergulhe dentro de si e resgate-o, crie um ambiente que propicie seu renascimento, deixe-o aflorar e iluminar sua vida escura, deixe sua luz guia-lo e siga-o, mesmo que não pareça, ele sempre te levará ao caminho certo, basta seguir suas setas e ignorar atalhos e veredas que ele não penetre, sem pressa, sem medo ... No amor, nada é definitivo, só ele. Nada é impossível, só a sua ausência. Nada é errado, apenas não vive-lo. Ame, viva, renasça. Sempre, sempre, sempre."


Leonardo Andrade
"Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo.Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece?Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto.Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não.Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais.Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim.Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote.O amor tem que ser vivenciado.Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade.É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores.Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize.Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade.Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.Isso é que libera a gente para Ser Feliz Novamente."
Arnaldo Jabôr

terça-feira, setembro 21, 2004


"O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar. Viver a vida decorrentemente, exteriormente, como um gato ou um cão – assim fazem os homens gerais, e assim se deve viver a vida para que possa contar a satisfação do gato e do cão.
Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor. Se os homens soubessem meditar no mistério da vida, se soubessem sentir as mil complexidades que espiam a alma em cada pormenor da acção, não agiriam nunca, não viveriam até. Matar-se-iam de assustados, como os que se suicidam para não ser guilhotinados no dia seguinte."
Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego
"Ergo a cabeça de sobre o papel em que escrevo... É cedo ainda. Mal passa o meio-dia e é domingo. O mal da vida, a doença de ser consciente, entra com o meu próprio corpo e perturba-me. Não haver ilhas para os inconfortáveis, alamedas vetustas, inencontráveis de antes, para os isolados no sonhar! Ter de viver e, por pouco que seja, de agir; ter de roçar pelo facto de haver outra gente, real também, na vida! Ter de estar aqui escrevendo isto, por me ser preciso à alma fazê-lo, e, mesmo isto, não poder sonhá-lo apenas; exprimi-lo sem palavras, sem consciência mesmo, por uma construção de mim próprio em música e esbatimento, de modo que me subissem as lágrimas aos olhos só de me sentir expressar-me, e eu fluísse, como um rio encantado, por lentos declives de mim próprio, cada vez mais para o inconsciente e o Distante, sem sentido nenhum excepto Deus. "

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego
"Tudo me cansa, mesmo o que me não cansa. A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor. Quem me dera ser uma criança pondo barcos de papel num tanque de quinta, com um dossel rústico de entrelaçamentos de parreira pondo xadrezes de luz e sombra verde nos reflexos sombrios da pouca água.
Entre mim e a vida há um vidro ténue. Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.
Raciocinar a minha tristeza? Para quê, se o raciocínio é um esforço? e quem é triste não pode esforçar-se.
Nem mesmo abdico daqueles gestos banais da vida de que eu tanto quereria abdicar. Abdicar é um esforço, e eu não possuo o de alma com que esforçar-me.
Quantas vezes me punge o não ser o manobrante daquele carro, o cocheiro daquele trem! qualquer banal Outro suposto cuja vida, por não ser minha, deliciosamente se me penetra de eu querê-la e se me penetra até de alheia!
Eu não teria o horror à vida como a uma Coisa. A noção da vida como um Todo não me esmagaria os ombros do pensamento.
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.
Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e de actos.
Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia.
Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.
A minha vida é como se me batessem com ela."


Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego